Santo
Antônio: Um
exemplo a ser seguido
MILAGRES
O
milagre dos peixes
Santo Antônio foi pregar na cidade de Rímini, onde dominavam os hereges.
Eles resolveram, de comum acordo, não ouvi-lo em hipótese alguma. Frei Antônio
subiu ao púlpito e viu que, diante de sua presença, quase todos se retiravam e
fugiam. Não esmoreceu, porém o seu zelo, pregou aos que tinham ficado e,
inflamado de ardor celeste, falou com tal energia que aqueles hereges
reconheceram seu erro e resolveram mudar de vida. O Santo não se contentou com
aquele resultado parcial e, retirando-se a uma cela, elevou preces ao Altíssimo
para que toda a cidade se convertesse. Saindo do retiro, foi direto às praias
do Mar Adriático e, em altas, clamou aos peixes que o ouvissem e celebrassem os
louvores do seu supremo Criador, já que os homens ingratos não queriam fazê-lo.
Diante daquela voz imperiosa, apareceram logo os incontáveis habitantes das
águas, e se distribuíram ordenadamente, cada qual junto com os da sua espécie e
tamanho. Os peixes ergueram suas cabeças da água e ficaram longos tempos
imóveis, a ouvi-lo.
O
prato envenenado
Alguns hereges resolveram matar Santo Antônio, envenenando-o.
Convidaram-no certo dia a comer com eles, dando como pretexto debater alguns
artigos da Fé. Santo Antônio nunca se negava a comparecer a essas disputas e
polêmicas. Os hereges puseram diante dele, entre outros pratos, um que continha
veneno mortal. Antes que o tocasse, Deus revelou-lhe a cilada e o Santo,
conservando toda a calma, repreendeu os hereges pela traição que lhe faziam.
Vendo descoberto seu intento perverso, não se abalaram e responderam
cinicamente: 'É verdade que esse prato tem veneno, mas nós o colocamos aí
porque desejamos fazer uma experiência: no Evangelho está escrito que Jesus
Cristo disse aos seus discípulos que ainda que tomassem veneno mortal nenhum
mal sofreriam, e estamos querendo saber se és de fato discípulo de Cristo'.
Santo Antônio fez o sinal da Cruz sobre aquele prato e o comeu com apetite,
saboreando a comida envenenada como se fosse alimento saudável, e nada sofreu,
deixando mais uma vez os hereges confusos e assombrados.
O
milagre da bilocação
No domingo de Páscoa, enquanto pregava na Catedral, Santo Antônio
lembrou-se de que fora designado para entoar a Aleluia, na Missa que se
celebrava naquele momento na Igreja do Convento franciscano. Não querendo
faltar com a obediência e não podendo descer do púlpito, parou um pouco,
calou-se como se estivesse retomando a respiração e, nesse momento foi
milagrosamente visto no Coro de seu convento, entoando a Aleluia. Esse
prodigioso milagre de bilocação foi visto e certificado por testemunhas, e logo
se divulgou, aumentando em todos os locais a veneração pelo grande taumaturgo.
Isso, evidentemente, resultou em ainda maior proveito para seu trabalho
apostólico.
Santo
Antônio cura um insano
Em meio a um sermão de Santo Antônio, entrou um louco que, com vozes e
gestos desordenados, perturbava os ouvintes, que não conseguiam prestar atenção
nas palavras do pregador. De repente, em meio à agitação, o louco disse: 'Não
sossegarei enquanto aquele homem (e apontou para Santo Antônio) não me der o
cordão que usa na cintura'. O Santo retirou o cordão e com ele envolveu o
louco, que foi imediatamente curado e adquiriu juízo perfeito.
O
menino que foi salvo pela fé
Quando pregava em Briba, uma senhora, na pressa de ir ouvi-lo, deixou
sobre o fogo um caldeirão com água, sem se lembrar de que seu filho pequeno
ficava sozinho em casa. Ao chegar da pregação, viu com horror que o menino
havia caído dentro do caldeirão e que a água estava fervendo. Bem se pode
imaginar os gritos de desespero que deu a pobre mãe! Nem se atrevia a se
aproximar, certa de se encontrar a inocente vítima horrivelmente queimada e
morta. Mas, cheia de fé em Santo Antônio, invocou-o e quando chegou próximo do
filho viu que este estava são e salvo, brincando e pulando na água fervente,
sem que esta lhe fizesse mal.
A
chuva não molhou as roupas de uma criada
Certo dia faltou ao convento de Briba alimentação para a comunidade, e
Frei Antônio mandou que se fosse pedir a uma senhora devota que possuía uma
grande propriedade, a esmola de algumas verduras. Apesar de estar chovendo
fortemente, a piedosa senhora ordenou a uma criada que fosse apanhar as
verduras na horta, que ficava distante da casa. A criada obedeceu, mas muito
mal-humorada com aquela ordem incômoda e inesperada. Foi quando se deu conta de
que, apesar da chuva torrencial que caía, não estava molhando nem os pés, e nem
a roupa. Chegou à horta, colheu as verduras, foi entregá-las no convento e
retornou à casa completamente seca. Tanto ela quanto sua senhora ficaram assombradas
diante daquele prodígio, e não mais se cansaram de apregoar os altos
merecimentos do Santo.
Salvou
um homem da morte por esmagamento
Durante a construção do convento de Leontino, aconteceu o seguinte
milagre: Estava sendo conduzida para o portal da igreja uma grande pedra; ao
ser retirada da carroça, caiu sobre o carroceiro e lhe esmagou o corpo,
deixando-o à beira da morte. Frei Antônio, querendo por humildade ocultar seu
dom de fazer milagres, disse aos presentes que invocassem o auxílio do Venerável
Pai São Francisco. Imediatamente levantou-se o homem ferido, perfeitamente são,
como se nenhum acidente lhe tivesse ocorrido.
Curou
um menino paralítico
Aproximou-se dele uma mulher, trazendo nos braços um filho paralítico de
nascença, e rogando em altos brados que o curasse. O Santo manifestou certo
desagrado por aquela forma ruidosa de pedir algo que o repugnava a sua
humildade, mas a mulher não se calou. Tanto ela pediu e suplicou, auxiliada por
Frei Lucas, que na ocasião acompanhava o Santo, que este, afinal, se deixou
vencer e fez sobre o menino paralítico o sinal da cruz, curando-o
imediatamente. Com modéstia, atribuiu o milagre não à sua virtude, mas à fé da
boa mulher e recomendou-lhe que não contasse o ocorrido a ninguém enquanto ele
fosse vivo.
O
Menino Jesus aparece para o Santo
Certa vez, Santo Antônio precisou de um alojamento em Pádua, e um senhor
nobre de nome Tiso, da família dos Condes de Camposampiero, teve a honra de acolhê-lo
em sua casa. Uma noite, vendo o lado de fora do quarto em que Frei Antônio
rezava alguns raios de luz extraordinária, aproximou-se e viu o Santo segurando
nos braços um gracioso Menino que suavemente o acariciava. Ficou cheio de
espanto por tão extraordinária maravilha, e compreendeu que era o Menino Jesus
que se tornara visível ao Santo para recompensá-lo com celestes consolações das
grandes fadigas que sofria por sua glória. Nesse meio tempo, o Menino
desapareceu. Saindo do êxtase, Frei Antônio deixou o quarto e dirigiu-se ao
dono da casa, dando-lhe a conhecer que já sabia ter ele observado a aparição.
Pediu então com a maior insistência que não revelasse o que tinha visto. Tiso
cumpriu a palavra, e somente depois da morte do Santo deu a público o extraordinário
acontecimento, que de tal modo o tocara que, todas as vezes que o relatava, não
conseguia reter as lágrimas.
Salva
seu pai da prisão
Já anteriormente, enquanto o Santo estava em Milão, havia salvado seu
pai da desonra e do descrédito. Martim de Bulhões era depositário, em Lisboa,
de valores elevados pertencentes ao Rei, destinados ao pagamento de despesas
relativas ao serviço público. Confiando em pessoas que não eram dignas, Martim
adiantou quantias consideráveis a várias pessoas que deveriam recebê-las, mas
não lhes pediu os recibos. Quando chegou a hora da prestação de contas ao
tesouro real, os indivíduos mentiram, negando ter recebido as quantias, e
Martim foi preso, sendo seus bens embargados. Estava o Santo pregando numa Praça
de Milão quando soube que naquele momento estava o pai diante dos juízes.
Encostou-se no púlpito e naquela mesma hora apareceu em Lisboa, diante do
tribunal. Saudou os juízes e depois, com ar severo, increpou os mentirosos que
negavam ter recebido o dinheiro: 'Vós desafiais a Deus, negando que recebestes
o dinheiro de meu pai. Ele confiou em vós, e vós lhe retribuís arrastando-o
para a desonra, juntamente com sua família! Vós, em tal dia (e foi dizendo a
cada um), em tal hora, em tal lugar, recebestes tanto, vós tanto, vós, tanto...
Confessai a verdade, se não quereis que Deus vos mande um terrível castigo'. Os
culpados confessaram que haviam mentido e o Santo ainda conseguiu dos juízes
que fossem perdoados. Depois abraçou o pai, beijou-lhe respeitosamente a mão
e... No mesmo instante recomeçava em Milão o sermão interrompido!
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